segunda-feira, 3 de julho de 2017

Carta aos Médiuns...

Uma coisa nós aprendemos nos últimos quatro anos: as melhores coisas não podem ser descritas, somente sentidas, e vividas. Mas hoje, por ser uma data tão especial, resolvemos fazer um esforço para que vocês consigam entender tamanha alegria e gratidão que nos envolve. E depois de um ano tão intenso, nada melhor do que eternizar as lembranças dessa data, com agradecimentos àqueles que fazem tudo isso ser real: vocês.

Quatro anos se passaram desde que o primeiro toque do atabaque aqui soou, o adjá em suas mãos, com toda certeza tremulas e suadas, balançou, e as lágrimas de emoção lavaram a alma de quem estava prestes a começar uma caminhada a qual desconhecia.

Dia 29 de Junho de 2013, às 19h00, nascia o Templo Magia de Luz e com ele nascíamos nós, nascia a nossa caminhada. Caminhada essa que para muitos envolve a magia do entender com um olhar sem a entidade precisar falar, do sentir a hora exata de tocar e de ensinar...

Jacqueline, Gilmar, José, Sidney, Carminha, sabemos que para vocês, isso tudo representa parte de uma vida. Agradecemos por repassarem com tanto amor, os ensinamentos de uma jornada repleta de experiências vividas. Será que vocês tinham ideia de quantos médiuns em formação teriam em suas mãos, e do tamanho do orgulho e respeito que teríamos por cada um de vocês? 

Tia Mara, Tia Cleide, não podemos prosseguir o texto sem agradecê-las. A Família Magia ama e respeita profundamente toda sabedoria contida na experiência de vida de vocês, e é graças a isso, que hoje completamos quatro anos de lutas e glórias, de ensinamentos e aprendizados, mas não foi fácil, em todo esse tempo quem nunca pensou em desistir? Quem não teve um momento no qual não se sentiu capaz de carregar a missão que o Pai lhe confiou? Entretanto, sempre há aqueles que nos fazem questão de lembrar que Deus não da algo a um filho, sem que ele possa carregar...

Patrícia, Gilmar e Jacqueline, vocês tem em suas mãos dons especiais, que se revestem com as bênçãos do céu. São guardiões encarnados, preparados e enviados pela espiritualidade, para nos mostrar o caminho da fé e do amor. Hoje, parabenizamos vocês por essa linda missão e a Deus pedimos que lhes dêem muita proteção. Sabemos que a jornada não é fácil, mas se isso for os tranquilizar: estaremos juntos nela, e lembrem-se: todo orgulho é pouco perto do que sentimos por vocês.

Yaya, achou que iríamos te esquecer, né? É que falar de você não é fácil. 
A espontaneidade de sua "doideira" e simplicidade, seriedade e alegria, quase que ao mesmo tempo, cativa aqueles que procuram algo verdadeiro, e nos faz ter a certeza de estar sob os cuidados certos, sob as mãos de quem ampara e cuida. Obrigada por todas as vezes que seus joelhos tocaram o chão e suas lágrimas caíram, transmitindo a imensidão do amor por aqueles que lhe dão sua proteção. Obrigada por nos ensinar a amar aquilo que jamais irá nos abandonar e a nos dedicar ao que precisa ser feito com a alma. Obrigada, obrigada, obrigada. Obrigada por resistir, por chorar nosso choro, sorrir nossa alegria, comemorar nossas vitórias e se colocar a nossa frente toda vez que foi preciso, sem demora. Obrigada por ter tido a coragem de tornar isso real, Mãe.

E como todo ciclo, muitas pessoas chegaram: há quem tenha chego pela dor e ficado pelo amor, há quem tenha chego pelo toque do atabaque e ficado pelo abraço de um avô, há quem tenha chego a procura de alivio e ficado pelos sorrisos e abraços amigos, contudo também há quem tenha ido, e houve quem pensasse que não iríamos mais existir, mas continuamos, seguindo firmes no propósito que nos foi dado: continuar ajudando, sempre com fé naquilo que acreditamos e com amor.

Aliás, o amor é a flor que o Caboclo das Sete Encruzilhadas disse que faltava, e como representação disso, queremos que vocês recebam essa flor e cultivem ela em seus lares como cultivam o amor por essa Casa e por toda essa espiritualidade, uns pelos outros. Nós somos a flor, nós somos amor.

A Umbanda é o que temos, o que vivemos e o que vamos continuar vivendo. É, em um resumo mágico, a nossa vida, o que da sentido a nossa existência. E essa Casa representa a confirmação para cada um de nós, de toda certeza que já tínhamos, mas que só agora conseguimos externar: felicidade plena.

Com a graça de S. Tupinambá e a licença do S. Capa Preta, nós vamos continuar aqui, eternizando cada momento que, juntos, vivemos.

Essa é uma homenagem dos filhos do Templo Magia de Luz para os filhos do Templo Magia de Luz , inspirado por toda uma existência e espiritualidade.

Redigido por Malu, Nathália, Alice, Milene e Beatriz.


terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Desmistificando Exú

Sente-se, preciso desabafar.

Eu fico impressionada como mesmo depois de muitos anos de Umbanda, e com a facilidade de acesso a informações que nós temos, a linha dos guardiões, do "Povo da Rua", ainda seja tão crucificada. Isso me entristece, me deixa abismada, e se por um momento eu pudesse pedir algo, pediria que cada um conhecesse Exú como eu conheci. 



E aqui estou eu agora, tentando fazer com que você entenda que Exú é muito mais do que um charuto e uma bebida, que ele não se resume a opiniões alheias de chifres ou patas, de ser interesseiro ou aproveitador, que elas, por sua vez, também não se resumem a vulgaridade, amores não correspondidos ou um olhar sedutor, e que nenhum deles são frutos da sombra da maldade, da ignorância, dos pecados ou da exclusão do Criador. 

Separei um trecho do Guardião da Meia Noite onde é retratado Exú perante a plenitude e a luz do "Nosso Senhor":

[...] A Luz e as Trevas são os dois lados do Criador. 
Há os que trabalham durante o dia e dormem durante a noite, mas há os que trabalham a noite e dormem durante o dia. Há animais que só saem de sua morada sob o sol, e aqueles que só o fazem sob o luar. Há o verão, mas também há o inverno. O que um aquece, o outro esfria. Há a primavera, mas também há o outono: o que um faz brotar, o outro faz se recolher. Há o fogo para queimar e a água para saciar a sede. Há a terra para germinar e há o ar para oxigenar. Há tantas coisas e, no fim, são somente parte do Um.

Agora compreende? A Luz não pode existir sem as Trevas e as Trevas não podem existir sem a Luz, assim como Exú não pode existir sem o Criador e o Criador não pode existir sem Exú, porque um faz parte da existência vital do outro, e ambos são importantes para o equilíbrio do universo, se completam. 

A questão é que o Pai de tudo já sabia e, por isso, os criou: para confiá-lo a missão de nos proteger e guiar ao longo dessa caminhada, para cuidar de nosso tempo enquanto encarnados, executar a Lei e respeitar a hierarquia por Ele estabelecida. Exú é sua criação mais vivída.

"Se tem Olorum para criar tudo, tem um Guardião para tomar conta de suas criações" 

Eles percorrem caminhos obscuros, imagináveis, com uma coragem indeterminada para resgatar os que estão perdidos, sentindo-se sozinhos e que clamam com verdade por ajuda, por perdão. Na mais profunda escuridão, onde a única luz que ali reside se esconde embaixo de sua capa, Exú se torna a única esperança: é a flor que surge do lodo e o alivío de uma nova jornada.



Há quem diga que Exú foi soldado, padre, rei e até mago, que Pombo-Gira traiu e foi traída, foi vulgar e até mulher da vida, mas pouco importa, porque por trás de cada um deles, existe uma história, assim como que por trás cada um de nós. E se eles são quem são, e fazem o que fazem, é porque escolheram perdoar, evoluir e ajudar aqueles sofrem hoje, o que eles já sofreram um dia.

Há quem diga que Exú esta no azeite de dendê, na pinga e no padê, na pimenta mais ardida, no charuto mais honroso e na gargalhada mais adorada. Há quem diga que Exú esta no atrasar do relógio, no semáforo fechado e na intuição mais "abobada", mas eu digo mais...

Ele esta onde é preciso e se faz presente quando é chamado.
Esta na sinceridade de uma expressão, no exagero de uma risada e no cavalheirismo exemplar. 
Esta no respeito pelo próximo, na defesa de um inocente e na execução do julgamento de um credor. 
Esta na esperteza de observar, observar, observar e saber exatamente a hora de agir, e como num estalar de dedos, fazer tudo acontecer. 
Esta no abraço mais apertado, no olhar mais profundo e no conselho mais sábio.
Esta no colo mais confortável, no choro de um recém encarnado e no clamar de uma partida.
Esta no preto, no vermelho, na claridade e nas sombras.
Esta nos cemitérios, nas encruzilhadas, na entrada e na saída, na morte e na vida. 
Ele é o início e o final de tudo, o limite entre os mundos, a frequência do universo e a energia que move nosso caminhar. Exú é magia, é sabedoria.

E se você ainda não se convenceu da imensidão de Exú, te deixo um convite para viver tudo o que vivi, sentir o que eu senti, pedir o que eu pedi e receber o que eu recebi, e ai você entenderá...

Honre a confiança, a amizade e a lealdade de um Exú.

[...] por cada encruzilhada que você passar, escada que você subir e areia que você pisar, eu estarei lá. (S. Capa Preta)


LAROYÊ EXÚ, EXÚ É MOJUBÁ!
MENSAGEIRO EXÚ, A VÓS TODO O MEU RESPEITO.

Dedicatória:

Eu não poderia postar esse texto sem fazer um agradecimento aqueles que me serviram de inspiração. Se eu fui capaz de escrevê-lo, foi por tudo que eu aprendi convivendo com Eles, então... S. Capa Preta, Bela Dama da Noite, Exú do Lodo, Rosa Caveira, Exú Caveira e Sete Saias, o meu muito obrigada. 

Família Magia, agradeço a confiança e os incentivos que recebi ao longo desses três anos. Espero que cada um leia com o mesmo sentimento que eu escrevi.

Ya, obrigada por você e sua casa me ensinarem, cada dia mais, quem verdadeiramente são eles, TODOS eles, e por me ensinar amar a espiritualidade, ter fé acima de tudo. 

sábado, 21 de janeiro de 2017

Intolerância Religiosa

Para falarmos de um assunto tão polêmico quanto a Intolerância Religiosa é preciso retroceder alguns séculos para entender que lá, de forma muito mais cruel e bruta, a Intolerância já existia e levou a óbito milhares de pessoas.

Através dos Tempos...

Escolho exemplificar o que acabo de escrever com um fato muito conhecido por toda sociedade: a Lei da Santa Inquisição.

A Inquisição foi um movimento iniciado na Europa, no fim da Idade Média (V - XV), instaurado pela Igreja Católica, que tinha como ideal impedir quaisquer ideias ou manifestações que colocassem em perigo os dogmas católicos, isso porque supostamente a Igreja começou a enfraquecer devido a novas formas de pensamentos, filosofias e crenças que foram surgindo.

Aqueles que para os clérigos eram considerados uma ameaça, eram, após um breve julgamento, condenados a morte na fogueira, em praça pública. Isso acontecia porque reprimiam e ameaçavam o restante da população, mantendo o controle da situação. Vale à pena fazer um adendo de que, naquela época, a Igreja tinha um poder imensurável sobre a sociedade e a economia.

Outro exemplo é a escravidão no Brasil.
Os índios foram os primeiros a ter sua cultura reprimida e suas crenças ignoradas pelos colonizadores, que se preocuparam em catequizá-los. Posteriormente, negros vindos de diferentes regiões do continente africano, repletos de crenças e costumes, tiveram seus valores oprimidos por seus senhores, tornando-se proibido qualquer prática religiosa divergente da católica no país.

A Intolerância Religiosa

Escolho definir Intolerância Religiosa como qualquer prática ofensiva a um indivíduo por suas crenças, filosofias ou escolhas religiosas, caracterizado por um fanatismo religioso, por parte do agressor, ou ausência de conhecimento e respeito em relação à crença do próximo.

É um crime de ódio que fere a liberdade e a dignidade humana, que não precisa necessariamente ser do tipo físico, podendo estar associado a agressões verbais, morais e psicológicas, que, na maioria das vezes, causam danos ainda piores resultando em isolamento social ou transtornos psicológicos. 

Em um país altamente miscigenado como o Brasil, com uma grande diversidade étnica e cultural, o assunto torna-se importante. Os crimes de repúdio contra os praticantes das religiões e conta as mesmas, principalmente de matriz africana, continuam somando óbitos anuais, denúncias e destruição. Entretanto, o que diferencia os crimes de hoje com relação aos do passado, é o amparo legal e a quantitade de direitos que possuímos. 

Art. 18º
Toda pessoa tem direito à liberdade de pensamento, consciência e religião; este direito inclui a liberdade de mudar de religião ou crença e a liberdade de manifestar essa religião ou crença pelo ensino, pela prática, pelo culto e pela observância, isolada ou coletivamente, em público ou particular. 

Art. 19º
Toda pessoa tem direito à liberdade de opinião e expressão; este direito inclui a liberdade de, sem interferência, ter opiniões e de procurar, receber e transmitir informações e ideias por quaisquer meios e independentemente das fronteiras. 

Declaração Universal dos Direitos Humanos.

A Lei

O dia 21 de Janeiro ficou marcado pela morte da Yalorixá Gildásia dos Santos, Mãe Gilda.
A líder religiosa passou por uma série de complicações após ter sido atacada pelo jornal Folha Universal, da Igreja Universal do Reino de Deus, no ano de 1999, vindo a falecer no ano seguinte. Na matéria, Mãe Gilda era tratada como uma "charlatã" e "macumbeira", e após o ocorrido, a família da vítima iniciou uma luta jurídica em busca de punição para os culpados. O caso se tornou um emblema na luta contra a Intolerância Religiosa. 

A Lei 11.635/07 foi sancionada, então, sete anos depois pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, instituindo a data como o "Dia Nacional do Combate a Intolerância Religiosa", e incluindo-a no Calendário Cívico da União para efeitos de comemoração oficial.

Sete anos mais tarde, em 2014, foi instaurado o Comitê Nacional de Diversidade Religiosa. O órgão visa assegurar a igualdade de direitos, planejar e por em prática políticas públicas que defendam a liberdade religiosa em nosso país. Ele é amparado pela Lei 7.716 que criminaliza qualquer tipo de discriminação por cor, raça, etnia ou religião, sob pena de dois a cinco anos de prisão.

A Secretaria dos Direitos Humanos da Presidência da República criou em 2011 o Disque Direitos Humanos ou Disque 100. O serviço atende gratuitamente ligações de qualquer lugar do país, a partir do telefone fixo ou celular, 24h por dia, sete dias por semana, recebendo denúncias de caráter social que incluam violações aos direitos humanos em geral. O departamento de ouvidoria recebe as denúncias, registra e age adotando as possíveis providências.

Os dados da SDH revelam que somente no primeiro semestre de 2016 foram regristrados 196 casos, não apenas relacionados à violência com religiões de matriz africana, mesmo que sejam predominantes (27% dos casos).

Apesar das denúncias terem crescido com o amparo legal, o assunto ainda merece atenção. Se você for vítima de qualquer preconceito não esconda, denuncie. Assegure-se de seus direitos.




"Não é sobre tolerar e sim respeitar..."

Texto apoio: umbandaead.com

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

A Culpa não é da Espiritualidade


Em nossas vidas atravessamos jardins e vales sombrios, momentos de paz e guerra, de fartura e carência, de saúde e doença, onde todos eles de alguma forma, contribuem para nosso crescimento pessoal e espiritual.

Faço referência ao crescimento espiritual porque cada encarnação é única e, por isso, devemos aproveitar essa oportunidade concedida pelo Pai Maior para resgatar aquilo que é preciso, cumprir a missão que traçamos e que nos foi designada e, por fim, evoluir.

Você deve estar se perguntando:

"O que a espiritualidade tem com isso?"

São momentos em que tudo da errado, muito errado mesmo, que chegamos à conclusão que existe algo estranho acontecendo. Nesse instante, somos invadidos por um turbilhão de sentimentos e pensamentos que nos confundem. Faço questão de me referir a isso porque, quando a pessoa mergulha em um desespero profundo, ela cria a tendência de atribuir à culpa e as soluções de seus problemas aos outros.

Numa busca por amenizar a dor, muitas vezes desconhecida, é comum as pessoas buscarem igrejas, templos, religiões e filosofias que possam lhes servir como uma válvula de escape. Nesses lugares, acabam por atribuir à causa de tantas desgraças, crises e problemas, a presença de seres desencarnados, pois assim o indivíduo se manté inconscientemente em um estado de fuga, escondendo-se atrás de sua própria sombra, transferindo a responsabilidade que tem perante o próprio destindo a terceiros.

É claro que a influência produzida por espíritos desencarnados e desequilibrados é nociva, porém, quero evidenciar que a culpa não é do espiritual. A pessoa por seu comportamento, seu padrão emocional e mental, sua conduta de vida moral e ética, é quem repele as coisas boas de sua vida, atraindo aquilo que condiz com seu padrão vibratório. Entenda caro irmão:

"O pensamento e as atitudes atraem..."

Tenhamos como exemplo uma pessoa que acaba de perder o emprego.
Ela estava na mesma empresa há dois anos e em todo esse tempo nunca realizou nenhum curso para seu crescimento profissional, além de produzir, nos últimos seis meses, muito menos do que antes produzia. Em razão da crise econômica atual, a empresa precisou demitir grande parte dos funcionários. Sem perspectiva de crescimento e sem produzir como o esperado, foi prontamente dispensada. Ao invés de analisar a perda do emprego e ir à busca de aperfeiçoamento, essa pessoa, não conformada, associou a perda do emprego a caminhos fechados, como um castigo das próprias entidades para que retornasse aos trabalhos, já que abandonou suas atividades mediúnicas há pouco tempo.

Viram? Em um simples fato do cotidiano, sob o qual a espiritualidade não realizou a mínima interferência, os colocamos como culpados ou utilizamo-los como desculpas. 
PARE IRMÃO!

A espiritualidade não tem culpa de nada. Eles, assim como nós - criações de Deus - são forças poderosas da natureza que, com toda sua luz, nos mantém mais perto Dele. Por isso, gostaria que você refletisse:

"Por que Deus, com toda a sua grandeza, plenitude e bondade, permitiria que uma parte de si fizesse mal a outra parte de si própro?"

A resposta é que não permitiria, não é? 

Mesmo acusados e até mesmo praguejados, a espiritualidade não nos abandona.
Eles se fazem presentes em todos os dias de nossas vidas, agindo através de intuições, amigos ou até sorrisos e ao se apresentarem nos dias de atendimento, nos terreiros, se demonstram prontos para nos confortar, das forças e um direcionamento para continuarmos nossa jornada. Recebem todos com muito afeto, sem nenhuma distinção, e preocupam-se em explicar tudo aquilo que é permitido, tentando aliviar as dores mais profundas daqueles que suplicam ajuda.

Infelizmente parte das pessoas que vão até a Umbanda buscar ajuda, acreditam que por estarem na religião, todos seus problemas serão resolvidos de imediato. Não é assim. As entidades, sejam elas quais forem, não tem a permissão divina de resolver nossas vidas e sim de nos auxiliar dentro do que for possível, se for de nosso merecimento, porém, é preciso entender que tudo tem o seu devido tempo.

Entretanto, o consulente, muitas vezes em estado de desespero absurdo, cria a tendência de não entender o que realmente esta sendo dito, mesmo que haja um esclarecimento por parte das entidades e dos cambonos. Eles tendem a escutar somente o que lhes é viável, criando motivos, posteriormente, para culpar a espiritualidade e novamente voltamos a questão acima.

"Você sempre será responsável pelo que diz, não pelo que as pessoas entendem."

Desde muito jovens na religião, fomos ensinados que somos responsáveis pelo nosso próprio destino porque somos dotados de liberdade de escolha (livre-arbítrio) e essas escolhas, que são realizadas todos os dias, irão refletir a curto ou longo prazo em nossas vidas. Em outras palavras, iremos colher exatamente o que plantarmos, obedecendo a maior das leis: de ação e reação.

Acredito que esse princípio, a qual guardo com zelo, seja muito mais abrangente do que aparenta, englobando o respeito, a confiança e a fé, formando a base da nossa existência. Digo isso porque é preciso ter respeito pelo próximo e por si mesmo, é preciso ter confiança naqueles que te guardam e manter a fé de que nunca se esta sozinho. Se você perde qualquer um dos três pilares, você perde a essência da vida.

Irmão, é preciso enxergar além para perceber que os pensamentos de agora definem nossas atitudes futuras, que as decisões hoje tomadas interferem em nossa caminhada e que o nosso jeito de ser determina o nosso modo de viver.

Ainda esta em tempo de olhar para o passado, o presente e o futuro, e firmar o compromisso com a vida, assumir suas responsabilidades e entender que a única pessoa capaz de mudar o seu destino, é você mesmo!

sexta-feira, 2 de setembro de 2016

A História Por Trás de Uma Capa Preta...

O ônibus estava lotado, eu não conseguia vê-la, mas sabia que estava lá. Podia sentir, captava sua angústia, sua indecisão e, acima de tudo, seu medo.
Ela não estava só. Além de mim, vi outros que a acompanhavam. Eu os via, mas eles não me notavam. Eram de outra faixa vibratória, pertenciam ao passado e tentavam envolvê-la com uma energia densa e pegajosa. Sempre que faziam isso ela ficava mais nervosa e também mais decidida.
À medida que o ônibus avançava pelas ruas centrais da cidade, mais pessoas entravam e o coletivo continuava a correr em direção à periferia. Ela estava lá, meio deslocada, olhando com insistência um pedaço de papel que continha o endereço que, segundo ela, mudaria seu destino.
Ela deu o sinal, o ônibus parou e descemos. Aqueles que a acompanhavam vibraram, pois ela estava na iminência de servir como instrumento na vingança que planejam há muito tempo. Vibraram com tanto ódio, que ela enfureceu-se consigo mesma. Pensava sem parar em como tinha deixado se envolver com aquele rapaz e que tinha que resolver isso sem que seus pais soubessem.
Ela verificou mais uma vez o número anotado e percebeu que estava perto. Logo chegou a uma casa humilde, como todas as outras ali do bairro, tocou a campainha e foi atendida por uma senhora, que faria o serviço. A mulher a analisou rapidamente, já tinha visto muitas moças iguais a ela, pediu-lhe o dinheiro e mandou que esperasse porque tinham duas mulheres na sua frente. Ela sentou-se pacientemente e aguardou.
Eu tive que agir rápido, vibrei minha espada no ar e os seres trevosos que a acompanhavam, estarreceram ante minha presença. Fatalmente eles me notaram, saíram da casa e ficaram do lado de fora tentando contatar outros para vir ajudá-los. 
Aproveitei para me aproximar dela e envolve-la com minha capa. Ela se acalmou por um instante e já não tinha mais certeza se deveria continuar. Eu vibrei em seu mental para que saísse dali e fosse tomar um ar fresco. Ela me atendeu, sem nem mesmo saber, e quando chegou lá fora, ainda envolvida por minha capa, tornou-se invisível para os que a acompanhavam.
Me materializei e ela se assustou ao me ver, tentando voltar para dentro da casa, mas eu a impedi. Chamei ela pelo nome e lhe disse:

"Não deve me temer, venho em paz e tenho uma única missão no dia de hoje: impedir que você faça esse aborto e traga esse espírito ao mundo."

Ela me olhava assustada, mas continuei: 

"Não importa se a concepção foi fruto de uma aventura, deve deixá-lo vir. Será uma menina linda, que veio do passado para cumprir uma grande missão. Sei que as condições não são as melhores, que o rapaz não é fácil e que seus pais não aprovarão, mas eu sei que você vai conseguir. Eu prometo acalmar todos e te proteger."

Ela começou a chorar e buscava entender como estava me vendo e ouvindo com tanta clareza. Apesar de achar que ela faria várias perguntas, fez a mais simples de todas:

"Como devo lhe chamar?"

"Me chame de Capa Preta, sou um Guardião. Protegerei você e a menina que carrega no ventre com a minha capa. Estarei ao lado dela a vida toda, lhe acompanhando, guiando e, portanto, ela nada deve temer."

"Ela irá lhe conhecer?"

"Na hora certa, Maria"

Ela chorava, mas consentiu. Avançou pela rua, pegou o ônibus, voltou para casa e assim como o prometido, acalmei seus pais e lhe protegi durante toda a gravidez.
A menina nasceu no tempo certo, linda e saudável. Cresceu e aprendeu a ser forte. Estive sempre ao seu lado e aos poucos fui me apresentando, sem ela perceber.
Quando tinha um pouco mais de uma quinzena de anos, foi convidada para conhecer um Terreiro de Umbanda e movida pela curiosidade, ela aceitou. Gostou tanto que passou a frequentar. Era longe, demorava a chegar, mas ia toda feliz para lá e eu cuidava de sua proteção e daqueles que seguiam jornada junto a ela, na ida e na volta, desviando-os do caminho sempre que preciso.
O tempo foi passando até que ela recebeu autorização para participar de uma Gira da nossa banda. Eu estava ansioso porque já tinha conversado com os Guardiões responsáveis daquele terreiro (amigos de longas datas) e eles tinham permitido que eu me apresentasse. Sim, tinha decidido que naquele momento ela iria me conhecer como quem eu era e não mais como o amigo que lhe ajudava a levantar depois dos tombos de bicicleta, que ficava ao seu lado nas noites frias enquanto ela chorava na rua sozinha, ou que lhe deixava em casa em segurança toda vez que insistia em sair sozinha e voltar tarde...
A Gira tinha começado fazia pouco tempo e logo a encobri com a minha capa. Ela se arrepiou ao sentir a minha força e lhe disse o meu nome:

"Sou o Exú Capa Preta e estive te acompanhando, protegendo e guiando todos esses anos. Eu te trouxe aqui essa noite para me apresentar. Temos muito trabalho pela frente, por isso, é preciso estudar e aprender tudo o que puder, porque chegará o dia em que irá ensinar. Lembre-se: você nunca estará sozinha."

Ela mais uma vez me surpreendeu pois não sentiu medo ou nervosismo, sentiu admiração, proteção e respeito, e desde essa noite conversamos constantemente de maneira silenciosa.
Como havia lhe dito, ela aproveitou as oportunidades: estudou e se dedicou a ler um pouco de tudo, tirando dúvidas sempre que necessário; aprendeu e observou tudo com a máxima atenção; desenvolveu e conheceu cada um de nós de todas as maneiras. Ao longo de sua jornada foi fazendo inúmeras obrigações, cada uma delas com um fundamento diferente, todas realizadas com muito amor, e naquele momento eu não tinha palavras, me orgulhava cada vez mais dela e da pessoa que estava se tornando. Tinha certeza que a espiritualidade que a cercava na outra esfera também se orgulhava. Ela cresceu forte e tinha aprendido as bases desse plano: humildade, caridade e respeito.
O tempo tornou a passar até decidirmos que ela estava pronta para abrir uma Casa e ter o seu próprio chão, nosso chão, para cumprir com amor e carinho sua missão e nos dar a oportunidade de continuar a nossa.
E eu? Vigio constantemente cada um daqueles que cercam a ela e o chão sagrado que usamos com respeito para trabalhar, porque quando percebo que alguém, de alguma maneira, esta indo pelo caminho torto, trato de avisar, e quando percebo que alguém tem a intenção de prejudicá-la ou a qualquer um que seja fiel a espiritualidade que trabalha ali, trato de distanciar de lá.
Nunca a abandonei e desde aquela noite me apresento sempre que necessário para cumprir com o que nos foi designado, amparando-a nessa longa caminhada...


Eu encontrei esse texto há algum tempo na internet e aos poucos fui adaptando-o para uma realidade parcialmente vivenciada, por uma pessoa muito especial. Por isso, não deixo de dar os devidos créditos ao autor ou a autora.
Gostaria ainda de ressaltar que o título foi inspirado no livro da Elaine Paceli "As Leis Por Trás de Uma Capa Preta."

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

7 Verdades Umbandistas

Existem 07 coisas que você só descobre depois de se tornar Umbandista:

1- Usar branco não é fácil.

Pode parecer que é fácil, mas não é. Essa cor traz uma responsabilidade enorme.

Você terá que aprender a vigiar seus atos, zelar pelo seu espiritual e entender que há irmãos que precisam, naquele momento, mais do que você. Então, você trocará festas, shows, amigos, bebidas e um dia de descanso, para se doar algumas horas para uma pessoa que você nunca viu e provavelmente nunca mais vai ver, mas posso te garantir, vale a pena.

2- Você é um médium 24 horas por dia e não só no terreiro.

Não adianta você se enganar dizendo que é médium só no terreiro porque você não é. A mediunidade faz parte de você, sempre fez, e isso não vai mudar.

Aos poucos você vai descobrir que a espiritualidade não é culpada pela sua colheita. Eles te mostram um caminho, mas você tem um livre arbítrio e realiza as suas próprias escolhas. Você planta, você colhe.

3- As entidades não estão ali de brincadeira.

Nenhuma entidade esta ali de brincadeira. Todas elas, sem exceção, estão ali para trabalhar, ensinar e também aprender, por isso, ouça-os com atenção e trate-os com muito carinho e respeito.

4- Exú é uma entidade de Lei.

Você vai entender que Exú não esta ali para brincar, beber, fumar, dar em cima de alguém ou amarrar uma pessoa. Não, eles não são assim.

Exús e Pombo Giras são entidades que trabalham nos planos inferiores sob a Lei do Pai Maior, São eles que nos protegem na entrada, na saída e nas encruzilhadas dessa vida. 
Alguns são brincalhões outros mais firmes, mas todos carregam consigo a seriedade em seu trabalho, se utilizando somente da energia da bebida e do fumo, nada mais. E se for preciso Exú trabalhar sem a bebida ou o fumo, ele trabalhará, sem dúvidas.

5- É preciso ajudar e não só participar.

Ser médium e fazer parte de um terreiro não é só chegar no dia da Gira e fazer seu trabalho. Não, não é assim. O chão que você encontrou limpo, alguém limpou. A vela que você usou, alguém comprou. O banho que você tomou, alguém macerou. O local que você esta, a luz que você utiliza e a água que você bebe, alguém pagou. Então, ajude...

Ajude a limpar quando puder, leve o seu material de trabalho e, toda vez que possível, auxilie na compra daquilo que falta na Casa, colabore com o que conseguir para a manutenção do aluguel, da água e da luz.
Não, isso não é a sua obrigação, eu sei, mas também não é minha e muito menos do Dirigente que ali se encontra. A obrigação é nossa. Nós temos que manter e cuidar do lugar onde nossa espiritualidade escolheu para trabalhar.

6- Cansa.

Isso eu preciso te falar: Irmão, cansa.

Existe um antes, um durante e um depois. Vou explicar:

ANTES de todo e qualquer trabalho, o terreiro precisa ser limpo da maneira correta e as firmezas precisam ser devidamente cuidadas.

Você precisará se alimentar corretamente, tomar seu banho de defesa, acender suas velas e se direcionar ao terrreiro algumas horas antes do inicio dos trabalhos para ajudar, tentando permanecer sempre em silêncio.

DURANTE todo e qualquer trabalho, você estará fornecendo e recebendo energia, então, é importante que o processo do ANTES tenha sido cumprido com rigor.

Se você for médium de passe lidará diretamente com energias. Se você for cambono, também lidará diretamente com energias, por isso, em todos os casos e cargos, é importante manter a firmeza.

DEPOIS de todo e qualquer trabalho, é preciso deixar o ambiente limpo de novo, então, pegue a vassoura, a pá, a esponja e mãos a obra.

Dia seguinte você com certeza estará com o corpo dolorido, entretanto, digo mais uma vez: vale a pena.

7 - Você vai se apaixonar.

Independentemente dos 6 itens acima, você vai se apaixonar.

Seja você um cambono, um médium de passe, um médium em desenvolvimento, um futuro sacerdote ou um simples consulente, esteja você na corrente ou na assistência, você vai se apaixonar por essa religião e nada, NADA, vai pagar a sensação de paz que vai te invadir.

Então, você esta esperando o que? Apaixone-se você também.



quarta-feira, 17 de agosto de 2016

O Abismo Pessoal: Ego, Vaidade e Inveja

Hoje vou contar uma história para vocês:
Uma pessoa resolve assumir um compromisso com a sua espiritualidade e entrar para a corrente de um terreiro que frequenta a meses. Essa pessoa é muito dedicada e esta sempre disposta a ajudar, mas, por ora, se perde no verdadeiro significado da religião. 
Se perde no mais profundo abismo do Ego, da Vaidade e da Inveja. Triste, não é? Mas real.
Esses sentimentos, irmãos, são capazes de acabar com tudo e todos, com o mais caridoso trabalho e com o mais bonito dos seres. E, de repente, o que era para ser um lugar de amor, caridade, simplicidade e humildade, se torna um lugar repleto de ódio, achismos, ciúmes e competições pessoais. Não, eu infelizmente não estou mentindo e exagerando.
Começa assim: o melhor tecido, a melhor roupa, a quantidade de fios, a vela mais cara, e como se já não estivesse a beira do precipício, o indivíduo começa a ter pensamentos como "Por que aquele irmão que tem o mais surrado dos panos e usa somente um fio de Oxalá, tem mais função que eu aqui dentro?". Irmão, se você chegou a esse ponto, pare. Pare agora e repense... 
Quando foi dito que era preciso estar bem vestido para praticar a caridade? Quando foi dito que era preciso uma dúzia de fios para mostrar a força dos que te guardam? Quando foi dito que assim você conquistaria um cargo? Quando foi dito que desse modo você ganharia atenção? Quando?
Tudo é merecimento, irmão. Em um chão sagrado não existe competição. Não existe tecido mais fino ou pano mais bonito, todos tem a mesma função. Não existe vela cara, barata, mais ou menos colorida, garanto que todas terão o mesmo resultado, assim como não existe pessoa, entidade e cargo mais ou menos importante, porque todos, TODOS, tem sua importância e são essenciais, a sua forma, para que o trabalho aconteça.
Para o espiritual, o que verdadeiramente importa é a fé que se tem, a energia que se deposita a cada trabalho, o amor, o respeito, o carinho e a vontade de fazer o bem. 
Então, tenha cuidado. Repense suas atitudes, reveja seus pensamentos e não caia no mais profundo dos abismos, colocando tudo a perder.