quinta-feira, 11 de julho de 2013

Baianos


A Umbanda caracterizou-se por cultuar figuras nacionais associadas à natureza e as condições subalternas em relação ao padrão branco ocidental. 
O Baiano representa a força do fragilizado, o que sofreu e aprendeu na "escola da vida" e, por isso, pode ajudar as pessoas. Seu reconhecido caráter de bravura e irreverência do nordestino migrante, parece ser responsável pelo fato de os baianos terem se tornado uma entidade de grande freqüência e importância nas giras de todo o país, nos últimos anos.

Os Baianos são das mais humanas entidades dentro do terreiro, por falar e sentir a maioria dos sentimentos dos seus consulentes. Talvez, por sua forma fervorosa de se apresentar em seus trabalhados no terreiro, aparentem ser uma das entidades mais fortes ou dotadas de grande energia.

Nas giras, eles se apresentam com forte traço regionalista sendo do tipo que não levam "desaforo pra casa”. Possuem uma capacidade de ouvir e aconselhar, carinhosamente, conversando bastante, passando segurança ao consulente que tem fé.

Os trabalhos com a corrente dos Baianos trazem muita paz e perseverança para vencermos as dificuldades de nossa jornada terrena. São muito sábios e conhecem de tudo um pouco, muitas vezes desfazendo grandes trabalhos magísticos, por isso, algumas vezes costumam adentrar na tronqueira para algum trabalho.

A Entidade que trabalha na linha de Baianos não precisa ser necessariamente da Bahia, assim como nem todo preto velho é negro ou foi escravo. Costumam dizer que se estão alí "trabalhando" é porque não foram santos em seu tempo na terra, e também estão alí para passarem um pouco do que sabem e principalmente aprenderem com o povo da terra.

Sempre com seu coco, a linha baiana está sempre disposta a ajudar os filhos de fé com seus conselhos e sua proteção.

                           
Características dos Baianos

Comidas: Coco, cocada, farofa com carne seca.
Bebem: Água de coco, cachaça, batida de coco.
Fumam: Cigarro de palha ou cigarro branco.
Cor: amarelo ou qual for definida pela entidade
Apresentação: Falam com sotaque característico nordestino e geralmente usam panos alegres.


Zé Pilintra


José dos Anjos, nascido no interior de Pernambuco, era um negro forte e ágil, grande jogador e bebedor, mulherengo e brigão. Manejava uma faca como ninguém, e enfrentá-lo numa briga era o mesmo que assinar o atestado de óbito. Os policiais já sabiam do perigo que ele representava e dificilmente encaravam-no sozinhos, sempre em grupo, e mesmo assim não tinham a certeza de não saírem bastante prejudicados das pendengas em que se envolviam.
Não era mal de coração, muito pelo contrário, era bondoso, principalmente com as mulheres, as quais tratava como rainhas. 
Sua vida era a noite. Sua alegria, as cartas, os dadinhos a bebida, a farra, as mulheres e por que não, as brigas. Jogava para ganhar, mas não gostava de enganar os incautos, estes sempre dispensavam, mandava embora, mesmo que precisasse dar uns cascudos neles. Mas, aos falsos espertos, os que se achavam mais capazes no manuseio das cartas e dos dados, a estes enganava o quanto podia e os considerava os verdadeiros otários. Incentivava-os ao jogo, perdendo de propósito quando as apostas ainda eram baixas e os limpando completamente ao final das partidas. Isso bebendo aguardente, cerveja, vermouth e outros alcoólicos que aparecessem.

Zé Pilintra no Catimbó No Nordeste do Pais, mas precisamente em Recife (na religião que conhecemos como Catimbó), ainda que nas vestes de um malandrão, a figura de Zé Pilintra, tem uma conotação completamente diferente. Lá, ele é doutor, curador, mestre e é muito respeitado.

Se faz presente nas Giras de Umbanda para auxiliar todos aqueles que clamam por sua ajuda.

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