domingo, 4 de agosto de 2013

Obaluaê

Orixá da saúde, atua sobre os doentes, hospitais e cemitérios. Senhor da morte e das doenças, costuma ser muito temido, porém da mesma forma que traz a doença, ele leva embora também. Os médiuns ao manifestarem a presença de Obaluaê, se curvam aproximando-se o máximo da terra, do chão. Representa a transformação do ser, morrer para o pequeno e renascer para o grande.



Lenda de Obaluaê

Nasceu de Nanã Buruque, aleijado. 

Conforme mandava a tradição, deveria ser jogado no mar, pois as crianças defeituosas não eram da terra e sim do povo das águas. Nanã, mortificada pela dor, assim fez. Enrolou seu filho e o deixou à beira do mar para que ele fosse levado. A criança foi atacada por caranguejos e peixes que o morderam inteiro deixando seu pequeno corpo em carne viva. 

Iemanjá que todos os dias fazia sua ronda pelo mar encontrou a criaturinha e apiedada do pequeno ser recolheu-o e tratou de suas feridas, criando o menino com carinho e amor de verdadeira mãe. Ao atingir a idade adulta, revoltado com sua mãe verdadeira e ressentido com a adotiva que não conseguira eliminar as cicatrizes que carregava pelo corpo, partiu pelo mundo para tentar a vida e esquecer suas dores e problemas.
Omulu andou de cidade em cidade, passando por muitas dificuldades, chegando a pedir esmola, mas até isso a ele era negado. Todos tinham medo de sua aparência. Refugiou-se então nas matas e passou a viver de folhas, raízes e frutos. 

Nesse período machucou-se muito nos espinhos e foi atacado impiedosamente por mosquitos, o que fez suas cicatrizes reabrirem e tornarem-se imensas chagas. Um dia ao acordar de madrugada, sentiu que o cachorro que o acompanhava, lambia suas feridas abertas. Ao mesmo tempo ouviu uma voz que lhe dizia claramente: “É hora, vá salvar a terra!”. Omulu levantou-se e viu que suas chagas estavam todas cicatrizadas e ao seu lado havia várias cabacinhas contendo muitos remédios. Trançou, então, um manto de palha e se cobriu, pegou as cabaças, agradeceu a Olorum e partiu.

Chegando a uma cidade, a mesma encontrava-se aterrorizada com uma peste que matava milhares de pessoas. Os corpos já se amontoavam pelas ruas, pois não havia como enterrar tantos mortos. Ao avistarem aquele homem coberto de palha, andando vagarosamente, todos correram até ele, pois o adivinho já os havia alertado que a cura viria por meio de um homem assim trajado. Pediu-lhes calma e pôs-se a trabalhar. Curou a todos, expulsou a peste da cidade e foi tido como herói, o grande médico dos pobres, Obaluaê, o rei e senhor da terra.

Filhos de Obaluaê

Os filhos de Obaluaê são pessimistas, autodestrutivos, fechados e até desajeitados. Costumam exibir seus sofrimentos e dores. Hipocondríacos, possuem forte resistência e prolongam os esforços. Melancólicos, depressivos e amargos, são pessoa solitárias capazes de desanimar até os mais otimistas, porém às vezes podem ser doces. Acreditam que são os únicos que sofrem e que ninguém os compreende. São lentos, porém firmes como rocha e não apresentam grandes ambições.

Curiosidades

Cores: preto e branco

Cores da Guia: contas pretas e brancas


Data comemorativa: 16 de agosto


Habitat: calunga pequena (cemitério)


Saudação: Atotô!

Atoto (Silêncio) – Silêncio! Ele está entre nós!


Ponto a Obaluaê

É Obaluaê 

É Obaluaê 
É Atotô 
É Obaluaê 
É Obaluaê 

Se você está sofrendo, 

no leito ou com frio e com dor. 
Com pipoca e com dendê 
muita gente ele curou. 

Se seu corpo está ferido, 

e não pode mais suportar. 
Peça proteção á ele, 
que ele vai lhe ajudar! 
OBALUAÊ!!! 

É Obaluaê 

É Obaluaê 
É Atotô 
É Obaluaê 
É Obaluaê 

Tem o segredo da vida, 

do começo e do fim. 
O meu senhor das palhas, 
tenha muita dó de mim. 

Na procissão das almas, 

que partem pro infinito. 
Ele vai mostrando á elas, 
outro mundo mais bonito! 
OBALUAÊ!!! 

É Obaluaê 

É Obaluaê 
É Atotô 
É Obaluaê 

É Obaluaê