quinta-feira, 12 de junho de 2014

O Espírito do Mal



Francisco era um rapaz de 30 anos e estava prestes a cometer suicídio. Toda a sua vida estava bloqueada e nada estava dando certo. A única coisa que o impedia de tirar a própria vida era a curiosidade em entender um sonho repetido há quase dois anos que o assolava.

Nesse sonho, toda vez que ele estava próximo de realizar algo, como conseguir um emprego, reaproximar-se de parentes e amigos, melhorar as condições do seu casamento, dentre outras atitudes que poderiam dar um salto de qualidade em sua vida, um homem aparecia no sonho e atrapahava tudo. Francisco começou a perceber que ele sempre falhava quando, no dia anteror, sonhava com esse homem. O rapaz estava convencido que esse homem era uma espécie de espírito maligno ou demônio que o odiava e queria destruir a sua vida.

Já cansado de ver sua vida desmoronando e o homem aparecendo repetidamente em seus sonhos e sempre o prejudicando, Francisco resolveu procurar um vidente especialista em interpretação de sonhos místicos, que diziam acertar tudo sobre a pessoa. O rapaz marcou o encontro, apresentou-se ao vidente e contou sua situação. O vidente fechou os olhos, ficou alguns minutos no que parecia ser um “transe”, retornou e disse:
- Meu caro, quero que você feche os olhos. Esse homem invasor do seu sonho, que o está prejudicando, quer falar com você agora.
Francisco fechou os olhos e viu um campo aberto. Um minuto depois começou a ver o homem de longe. O homem veio então caminhando na direção de Francisco. O rapaz ficou com muito medo e pensou em desistir, mas o vidente insistiu que ele deveria enfrentar esse medo para que tudo ficasse bem. Quando o homem estava quase chegando, Francisco tomou um susto, e ficou estarrecido com sua visão. Mal podia acreditar na identidade desse homem. Para sua imensa surpresa, o homem era ele mesmo…
Francisco abriu os olhos e perguntou ao vidente o que aquilo significava. O vidente disse:
- É simples. Durante todo esse tempo você mesmo estava boicotando a sua vida. Nossa mente e nossa sombra interior são os únicos que podem nos favorecer e nos prejudicar. Ninguém tem poder sobre nossa vida. Você é a única pessoa que pode fazer mal a si mesmo, mais ninguém pode. Você é seu grande inimigo e ao mesmo tempo seu maior amigo. Ninguém pode te bloquear ou te libertar a não ser você mesmo.

Fonte: Espiritualidade é Amor.

quarta-feira, 4 de junho de 2014

Iansã

Iansã é a Orixá dos ventos e das tempestades. Rainha dos raios, é responsável pelas transformações e pelo combate à feitiçarias feitas aos seus seguidores. Guerreira, é conhecida também como guardiã dos mortos, pois exerce domínio sobre os eguns. A força de sua magia afasta todas as influências do mal e negativas, pois tem o poder de anular os males e cargas de enfeitiçamento.


Lenda de Iansã

Iansã percorreu vários reinos, foi paixão de Ogum, Oxaguian, Exu, Oxossi e Logun-Edé. Em Ifé, terra de Ogum, foi a grande paixão do guerreiro. Aprendeu com ele e ganhou o direito do manuseio da espada. Em Oxogbô, terra de Oxaguian, aprendeu e recebeu o direito de usar o escudo. Deparou-se com Exu nas estradas, com ele se relacionou e aprendeu os mistérios do fogo e da magia. No reino de Oxossi, seduziu o deus da caça, aprendendo a caçar, tirar a pele do búfalo e se transformar naquele animal (com a ajuda da magia aprendida com Exu). Seduziu o jovem Logun-Edé e com ele aprendeu a pescar. Iansã partiu, então, para o reino de Obaluaiê, pois queria descobrir seus mistérios e até mesmo conhecer seu rosto, mas nada conseguiu pela sedução. Porém, Obaluaiê resolveu ensinar-lhe a tratar dos mortos. De início, Iansã relutou, mas seu desejo de aprender foi mais forte e aprendeu a conviver com os Eguns e controlá-los. Partiu, então, para Oyó, reino de Xangô, e lá acreditava que teria o mais vaidoso dos reis, e aprenderia a viver ricamente. Mas, ao chegar ao reino do deus do trovão, Iansã aprendeu muito mais, aprendeu a amar verdadeiramente e com uma paixão violenta, pois Xangô dividiu com ela os poderes do raio e deu a ela o seu coração.


 Filhos de Iansã

Seu filho é conhecido por seu temperamento explosivo. Está sempre chamando a atenção por ser inquieto e extrovertido. Sempre a sua palavra é que vale e gosta de impor aos outros a sua vontade. 

Não admite ser contrariado, pouco importando se tem ou não razão, pois não gosta de dialogar. Em estado normal é muito alegre e decidido. Questionado torna-se violento, partindo para a agressão, com berros, gritos e choro. Tem um prazer enorme em contrariar todo tipo de preconceito. Passa por cima de tudo que está fazendo na vida, quando fica tentado por uma aventura. Em seus gestos demonstra o momento que está passando, não conseguindo disfarçar a alegria ou a tristeza. Não tem medo de nada. Enfrenta qualquer situação de peito aberto. É leal e objetivo. Sua grande qualidade, a garra, e seu grande defeito, a impensada franqueza, o que lhe prejudica o convívio social.
Iansã é a mulher guerreira que, em vez de ficar no lar, vai à guerra. São assim os filhos de Iansã, que preferem as batalhas grandes e dramáticas ao cotidiano repetitivo. 

Costumam ver guerra em tudo, sendo portanto competitivos, agressivos e dados a ataques de cólera. 

Ao contrário, porém, da busca de certa estratégia militar, que faz parte da maneira de ser dos filhos de Ogum, os filhos de Iansã costumam ser mais individualistas, achando que com a coragem e a disposição para a batalha, vencerão todos os problemas. 

São fortemente influenciados pelo arquétipo da deusa aquelas figuras que repentinamente mudam todo o rumo da sua vida por um amor ou por um ideal. Talvez uma súbita conversão religiosa, fazendo com que a pessoa mude completamente de código de valores morais e até de eixo base de sua vida, pode acontecer com os filhos de Iansã num dado momento de sua vida. 

Da mesma forma que o filho de Iansã revirou sua vida uma vez de pernas para o ar, poderá novamente chegar à conclusão de que estava enganado e, algum tempo depois, fazer mais uma alteração - tão ou mais radical ainda que a anterior. 

São de Iansã, aquelas pessoas que podem ter um desastroso ataque de cólera no meio de uma festa, num acontecimento social, na casa de um amigo - e, o que é mais desconcertante, momentos após extravasar uma irreprimível felicidade, fazer questão de mostrar, à todos, aspectos particulares de sua vida. 

Os Filhos de Iansã são atirados, extrovertidos e chocantemente diretos. Às vezes tentam ser maquiavélicos ou sutis, mas, a longo prazo, um filho de Iansã sempre acaba mostrando cabalmente quais seus objetivos e pretensões. 

Têm uma tendência a desenvolver vida sexual muito irregular, pontilhada por súbitas paixões, que começam de repente e podem terminar mais inesperadamente ainda. Se mostram incapazes de perdoar qualquer traição - que não a que ele mesmo faz contra o ser amado. Enfim, seu temperamento sensual e voluptuoso pode levá-las a aventuras amorosas extraconjugais múltiplas e freqüentes, sem reserva nem decência, o que não as impede de continuarem muito ciumentas dos seus maridos, por elas mesmas enganados. Mas quando estão amando verdadeiramente são dedicadas a uma pessoa são extremamente companheiras. 

Todas essas características criam uma grande dificuldade de relacionamentos duradouros com os filhos de Iansã. Se por um lado são alegres e expansivos, por outro, podem ser muito violentos quando contrariados; se têm a tendência para a franqueza e para o estilo direto, também não podem ser considerados confiáveis, pois fatos menores provocam reações enormes e, quando possessos, não há ética que segure os filhos de Iansã, dispostos a destruir tudo com seu vento forte e arrasador. 

Ao mesmo tempo, costumam ser amigos fiéis para os poucos escolhidos ara seu círculo mais íntimo.


Curiosidades

Data comemorativa: 04 de dezembro

Saudação: Eparrei Oyá!
Eparrei (saudação a um dos raios do Orixá da decisão); Oyá (nome por que é conhecida Iansã) – Saudação aos majestosos ventos de Oyá!

Sincretismo Religioso: Santa Barbára.

terça-feira, 3 de junho de 2014

Pontos Cantados

Um dos fundamentos de vital importância para a harmonização e eficácia dos trabalhos dentro de um templo umbandista é, sem dúvida, o que diz respeito aos Pontos Cantados (curimbas). Em tempos imemoriais, o homem materialista e ligado quase que exclusivamente aos aspectos físicos que o circundavam, tomado de profundo vazio consciencioso, resolveu traçar caminhos que o fizesse resgatar a verdadeira finalidade de sua existência. Alicerçado em princípios aceitáveis, passou a buscar o elo de ligação para com o Criador, a fim de se redimir do tempo perdido e desvirtuado para outras ações.

Os Pontos Cantados são verdadeiros mantras, preces, rogativas, que dinamizam forças da natureza e nos fazem entrar em contato íntimo com as Potências Espirituais que nos regem. Existe toda uma magia e ciência por trás das curimbas que, se entoadas com conhecimento, amor, fé e racionalidade, provocam, através das ondas sonoras, a atração, coesão, harmonização e dinamização de forças astrais sempre presentes em nossas vidas.

Quanto à origem, os pontos cantados dividem-se em Pontos de Raiz (enviados pela espiritualidade), e Pontos terrenos (elaborado por pessoas diretamente)  

Pontos de Raiz ou Espirituais: jamais podem ser modificados, pois constituem-se em termos harmoniosamente organizados, ou seja, com palavras colocadas em correlação exata, que fazem abrir determinados canais de interação físico-astral, direcionando forças para os mais diversos fins.

Pontos Cantados Terrenos: a Espiritualidade os aceita, desde que pautados na razão, bom senso, fé e amor de quem os compõe.

É o conjunto de músicas próprias utilizadas em rituais umbandistas. Servem para os mais diversos fins, como por exemplo, receber uma visita, homenagear uma entidade etc.

Nós umbandistas, utilizamos os pontos cantados para entrar-mos em sintonia com as forças do astral. Em outras palavras, através dos pontos cantados, conseguimos buscar as forças espirituais das entidades, para atuarem diretamente sobre os trabalhos que estão sendo realizados.

É muito importante, que o ponto seja cantado de forma correta. Devemos analisar a letra e a melodia , e cantar com muito respeito e emoção, sem gritaria e sem brincadeiras. Afinal, o ponto é uma prece, portanto, vamos cantar com muito amor e devoção. 

domingo, 1 de junho de 2014

Tronqueira

A tronqueira é um recurso, um ponto de força, onde está firmado (ativado) o poder dos guardiões que militam em dimensões a nossa esquerda. 

O ponto de força funciona como um pára-raios, é um portal que impede as forças hostis se servirem do ambiente religioso de forma deturpada. 

No astral, os Exús e Pombo-Giras, utilizam-se dos elementos dispostos na tronqueira para beneficiar os trabalhos que são realizados dentro do templo. 

Com estes elementos, estes abnegados servidores da luz, anulam forças negativas, recolhem e encaminham seres trevosos, abrem caminhos, protegem, etc... 

Dentro de uma tronqueira encontramos vários tipos de ferramentas (instrumentos mágicos), como tridentes, punhais, pedras, ervas, velas e bebidas. Cada instrumento com sua finalidade especifica e tanto os Exús quanto as Pombo-Giras ativam seus mistérios nestes elementos com a finalidade de realizarem seus trabalhos espirituais. 

É importante que os médiuns e os assistidos saibam da importância de uma tronqueira e que todos saibam que este ponto de força está sobre as ordens da Lei Maior. 

Devemos saudá-los, de forma respeitosa quando adentramos nos templos. 
A saudação utilizada por grande parte dos terreiros é: "Laroyê Exú, Exú é Mojuba". Qualquer um pode se servir do poder desses guardiões, acenda uma vela e peça proteção e auxilio e receberá. Eles estão a serviço do Bem, da Lei Maior. 

Que os senhores guardiões, através da Lei maior e da Justiça Divina, possam fortalecer e proteger nossos trabalhos.