segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Iemanjá

Orixá mais popular do Brasil, a rainha do mar é a mãe de todos os Orixás, é o trono feminino da geração, a protetora dos marinheiros, pescadores, das viagens pelo mar, e também sobre toda a flora e fauna marinhas. Dona dos mares e oceanos, águas essas que, através de sua força, tem o papel de devolver vibrações e trabalhos, pois creem que o mar devolve tudo que nele for jogado e vibrado.

Iemanjá é força da natureza que tem papel muito importante em nossas vidas, pois é ela que rege nossos lares, nossas casas. É ela que dá o sentido da família às pessoas que vivem debaixo de um mesmo teto. Ela é a geradora do sentimento de amor ao seu ente querido, que vai dar sentido e personalidade ao grupo formado por pai, mãe e filhos tornando-os coesos.


Chamada também de Deusa das Pérolas, é aquela que apara a cabeça dos bebês no momento de nascimento. 


Lenda de Iemanjá

Filha de Olokun, Iemanjá nasceu nas águas. Teve três filhos: Ogum, Oxóssi e Exu. 

Conta a lenda que Ogum, o guerreiro, filho mais velho, partiu para as suas conquistas; Oxóssi, que se encantara pela floresta, fez dela a sua morada e lá permaneceu, caçando; e Exu, o filho problemático, saiu pela mundo.

Sozinha Iemanjá vivia, mas sabia que seus filhos seguiam seus destino e que não podia interferir na vida deles, já que os três eram adultos.Comentava consigo mesma:

- Ogum nasceu para conquistar. É bravo, corajoso, impetuoso. Jamais poderia viver num lugar só. Ele nasceu para conhecer estradas, conquistar terras, nasceu para ser livre. 
Exu, que tantos problemas já me deu, nasceu para conhecer o mundo e dos três é o mais inconstante, sempre preparado surpresas; imprevisível, astuto, capaz de fazer o impossível.
Oxóssi, meu querido caçula, bem que tentei prendê-lo a mim, mas no fundo sabia que teria seu destino. Ele é alegre, ativo, inquieto. Gosta de ver coisas belas, de admirar o que é bonito e é um grande caçador. Nasceu para conhecer o mundo também e não poderia segurá-lo... 

Iemanjá estava perdida em seus pensamentos quando viu que, ao longe, alguém se aproximava. Firmou a vista e identificou-o: era Exu, seu filho, que retornara depois de tanto tempo ausente. Já perto de seu mãe, Exu saudou-a e comentou:

- Mãe, andei pelo mundo mas não encontrei beleza igual à sua. Não conheci ninguém que se comparasse a você!

- O que está dizendo, filho? Eu não entendo!

- O que quero dizer é que você é a única mulher que me encanta e que voltei para lhe possuir, pois é a única coisa que me falta fazer neste mundo!

E sem ouvir a resposta de sua mãe, Exu tomou-lhe à força, tentando violentá-la. Uma grande luta se deu, pois Iemanjá não poderia admitir jamais aquilo que estava acontecendo. Bravamente, resistiu às investidas do filho que, na luta, dilacerou os seios da mãe. Enlouquecido e arrependido pelo que fez, Exu "caiu no mundo", sumindo no horizonte.

Caída ao chão, Iemanjá entre a dor, a vergonha, a tristeza e a pena que teve pela atitude do filho, pediu socorro ao pai Olokun e ao Criador, Olorun. E, dos seus seios dilacerados, a água, salgada como a lágrima, foi saindo, dando origem aos mares.

Exu, pela atitude má, foi banido para sempre da mesa dos Orixás, tendo como incumbência eterna ser o guardião, não podendo juntar-se aos outros, na corte.

Iemanjá que, deste modo, deu origem ao mar, procurou entender a atitude do filho, pois ela é a mãe verdadeira e considerada a mãe não só de Ogum, Exú e Oxossi, mas de todo o panteão dos Orixás.


Filhos de Iemanjá

Maternais e impotentes, os filhos de Iemanjá são pessoas dignas, majestosas e fecundas. Não perdoam facilmente uma ofensa, e quando perdoam, nunca esquecem. Com o rigor de uma mãe, às vezes podem parecer arrogantes. Apreciam ambientes confortáveis e mesmo quando pobres, mantem um certo nível de sofisticação em seus lares. Amizade e companheirismo são características fundamentais.


Curiosidades

Cores: azul claro, branco e prata

Cores da Guia: contas brancas e azul claras ou transparentes

Data comemorativa: 15 de agosto, 2 de fevereiro ou 8 de dezembro dependendo do Estado e da Cultura.

Habitat: calunga grande (mar)

Saudação: - Odô-fe-iaba! (yorubá) ou ainda, Odôiá!
Odô (rio/mar); fe (amada); iyàagba (senhora) – Amada Senhora do Rio/Mar (das águas).

Sincretismo religioso: Nossa Senhora das Candeias, Nossa Senhora da Glória ou Nossa Senhora dos Navegantes



Ponto a Iemanjá

Eu escrevi um pedido na areia 
Pedindo a Zambi pra me socorrer 
Eu escrevi um pedido na areia 
Mas foi Mãe D'água que veio me valer 

E foi nas ondas do Mar 
Que entreguei os meus problemas 
E aprendi a confiar 
Que todo mal não dura para sempre 
E que a paz é uma semente que precisa semear 

E no horizonte de um mar tão infinito 
Iemanjá me acolheu e meu deu um mundo tão mais bonito 
Eu abri meu coração, ela me estendeu a mão 
E entreguei meu caminhar a Iemanjá 

Nenhum comentário:

Postar um comentário