sábado, 28 de março de 2015

O Pentagrama e os Elementos Essenciais: Ar, Água, Terra e Fogo

A humanidade sempre teve ao seu redor um mundo de forças e energias ocultas que muitas vezes não conseguia compreender ou identificar.
Foi buscando ao longo dos tempos proteção a esses perigos ou riscos, que faziam parte de seu medo ao desconhecido, que foram surgindo aos poucos muitos objetos, imagens e amuletos, criando-se símbolos e tradições de cada povo.

O pentagrama está entre os principais e mais conhecidos símbolos, pois possui diversas representações e significados, evoluindo ao longo da história. 
Passou de um símbolo cristão para a atual referência com vasta profundidade mágica.


As suas origens mais profundas...

Num dos mais antigos significados do Pentagrama, os Hebreus o designavam como "A Verdade" para os cinco livros do Velho Testamento atribuídos a Moisés.
Na Grécia Antiga, era conhecido como o "Pentalpha" geometricamente composto por cinco As e considerado um emblema de perfeição. 

Os primeiros cristãos tinham o Pentagrama como um símbolo das cinco chagas de Cristo. Desse modo, era visto como uma representação do miticismo religioso e do trabalho do Criador.

O Pentagrama só passa a ser encarado pela igreja como um símbolo diabólico, quando os Templários (Ordem de Monges formada durante as Cruzadas) foram dizimados pela Igreja e pelo fanatismo religioso de Luis IX, em 1303. 

Iniciou-se assim a Idade das Trevas onde se queimavam, torturavam e excomungavam qualquer um que se opusesse a Igreja.

 Nessa época, o Pentagrama simbolizou a Cabeça de um Bode ou Diabo, o mesmo que a Igreja acusou os Templários de adorar. Essa analogia foi feita porque no centro da localização da Ordem dos Templários é notável observar um Pentagrama Natural formado pelas montanhas que cercam o lugar. 


O Pentagrama é também encontrado na cultura chinesa representando o ciclo da destruição, que é base da sua medicina tradicional.

Neste caso, cada extremidade do Pentagrama simboliza um elemento específico:
Terra, Água, Fogo, Madeira e Metal. 

Cada elemento desse seria gerado por outro: a Madeira seria gerada pela Terra o que dará início a um ciclo de geração ou criação. Para que exista um equilíbrio é necessário um elemento inibidor, que nesse caso é oposto assim como a Água que inibe o Fogo.


Posteriormente, o Pentagrama foi associado aos Quatro Elementos Essenciais:
Terra, Água, Ar e Fogo. O Quinto simbolizaria o Espírito.

Hoje é utilizado por muitas pessoas como um símbolo de sua religião e sua fé ou como apenas um amuleto de proteção. 


Independente do que tenha sido associado em seu passado, ele se configura como um dos principais e mais utilizados símbolos mágicos da Cultura Universal simbolizando o domínio do Espírito sobre a Matéria, Inteligência sobre Instintos, Mente sobre o Corpo...

Vamos semanalmente estudar cada um desses elementos...


domingo, 15 de março de 2015

Falanges

Um assunto que gera muitas dúvidas e confusões é as Falanges na Umbanda.

Para começarmos a explicar o tema, é viável que façamos uma pergunta:

"Um espírito pode se manifestar em vários médiuns ao mesmo tempo? Por exemplo, pode haver dois médiuns incorporados em seu Caboclo Pena Branca ao mesmo tempo e no mesmo terreiro?"

Sim, pode. A explicação é simples mas exige um leve estudo sobre o assunto.

Maria Padilha, 7  Flechas, Pena Branca entre outros são nomes das FALANGES de trabalho. Todos os espíritos pertencentes àquele grupo se manifestam com o mesmo nome quando estão em terra. Mas tratam-se de espíritos, de individualidades diferentes. Assim, não é o Pena Branca que está em vários lugares ao mesmo tempo. São vários espíritos da mesma falange, em vários lugares, utilizando o mesmo nome.

Falange é o mesmo que legião, agrupamento de tropas organizadas, visto isso, podemos dizer que as falanges na Umbanda são agrupamentos de espíritos. Dentro das falanges existem hierarquias referentes a tipos vibracionais, áreas de atuação do espírito,  grau evolutivo, experiência adquirida, dentre outros. As falanges que aparecem na nossa morada do Pai são atribuídas as linhas de trabalho existentes e também aos Orixás. 


Não podemos confundir por exemplo, a Linha de Pretos Velhos com Falange de Pretos Velhos, ou seja, a Linha de trabalho é referente ao grau alcançado pela evolução do espírito, que nela pode exercer a sua especialidade, onde esta especialidade é especificada dentro das falanges, por exemplo, um espírito que trabalha na Linha de Pretos Velhos e tem grande conhecimento em magia e quebra de feitiços poderá vir a trabalhar na Falange do Preto Velho Rei Congo, se apresentando como tal.

Compreendendo este modo hierárquico que a espiritualidade se organiza, podemos dizer que dentro de uma falange temos o chefe e criador da mesma, este responsável por todos os trabalhos desempenhados pelos obreiros que atuam nesta, temos os chefes de grupos de falanges, que são responsáveis pela coordenação de um grupo que trabalha na mesma falange, mas de menor patente e experiência, assim este chefe tomará conta e informará os resultados do grupo qual ele comanda ao criador da falange.

Ainda podemos ver a divisão de especialidades dentro própria falange, caracterizando assim uma sub-falange, por exemplo, os Pretos Velhos que se apresentam como Pai Chico da Calunga, estão dentro da falange do Pai Chico, mas por apresentarem o sobrenome da Calunga, mostra que o trabalho desempenhado por ele, é feito com as almas, ou seja, espíritos na transição do mundo físico para o espiritual, que se diferencia do trabalho desempenhado pelo Pai Chico de Aruanda, que tem o caráter mais doutrinário, esclarecedor do que se diz respeito ao evangelho de Cristo.

Sob esta ótica, podemos compreender como é possível existirem diversas entidades se identificando com o mesmo nome, em diversas casas, no mesmo horário, muitas vezes no mesmo terreiro, espalhados pelo país inteiro, e por que não pelo mundo.

terça-feira, 3 de março de 2015

Humildade e Sabedoria: Os Pretos Velhos

As histórias dos nossos amados Pretos-Velhos começa lá em um Brasil distante.


A escravidão reinava pelo mundo, por toda a Europa principalmente. Os negros africanos foram levados para diversas colônias espalhadas principalmente nas Américas. No Brasil os escravos negros chegavam ao Recife e Salvador, nos séculos XVI e XVII, e ao Rio de Janeiro, no século XVIII. Os primeiros grupos a chegar a essas regiões foram os bantos; cabindos; sudaneses; iorubás; geges; hauçá; minas e malês.

Arrancados da sua terra de origem, uma vida amarga e penosa esperava por esses homens e mulheres na colônia: trabalho de sol a sol nas grandes fazendas de açúcar. Tanto esforço, que um africano durava, em média, de sete a dez anos. Em troca do seu trabalho, os negros recebiam três "pês": Pau, Pano e Pão. 

Em seus cultos, os escravos resistiam, simbolicamente, à dominação. A "macumba" era, e ainda é, um ritual de liberdade, protesto e reação à opressão. As rezas, batucadas, danças e cantos eram maneiras de aliviar a asfixia da escravidão. A resistência também acontecia na fuga das fazendas e na formação dos quilombos, onde os negros tentaram reconstituir sua vida africana.  

A Legião de espíritos chamados "Pretos-Velhos" foi formada no Brasil, devido a esse torpe comércio do tráfico de escravos arrebanhados da África. Estes negros, aos poucos, conseguiram envelhecer e constituir, mesmo que de maneira precária, uma união representativa da língua, culto aos Orixás e aos antepassados e tornaram-se um elemento de referência para os mais novos, refletindo os velhos costumes da Mãe África. 

Após suas mortes, voltaram. A sua missão não estava ainda cumprida. Precisavam de evoluir gradualmente no plano espiritual. Muitos ainda, usando o seu linguajar característico, praticando os sagrados rituais do culto,  manifestaram-se em indivíduos previamente selecionados de acordo com a sua ascendência (linhagem), costumes, tradições e cultura. 


Eles representam a humildade, força de vontade, a resignação, a sabedoria, o amor e a caridade. São um ponto de referência para todos aqueles que necessitam: curam, ensinam, educam pessoas e espíritos sem luz. Não têm raiva ou ódio pelas humilhações, atrocidades e torturas a que foram submetidos no passado. Com os seus cachimbos, falam pausadamente e são muito  tranquilos nos gestos. Eles escutam e ajudam todos os que necessitam, independentes de sua cor, idade, sexo e de religião. 

Não se pode dizer que são todos Pretos Velhos da escravidão. Pois, no processo cíclico da reencarnação passaram por muitas vidas anteriores foram: negros escravos, filósofos, médicos, ricos, pobres, iluminados, e outros. Mas, para ajudar aqueles que necessitam, escolheram ou foram escolhidos para voltar à Terra em forma incorporada de Preto-Velho. São símbolos destas duas virtudes humanas: a humildade e a sabedoria.

Suas mirongas são poderosas. Através do singelo oferecimento do café ou do vinho, os pretos velhos magnetizam a bebida com elementos para a cura e alívio dos filhos de fé. Também se utilizam as rezas e os benzimentos, na maioria das vezes, utilizam a fumaça do cachimbo para limpar a aura dos filhos de fé. Ao fumarem seus cachimbos veiculam com a fumaça fortes vibrações que limpam a Aura, desagregando as vibrações negativas que poderiam trazer doenças e sérias perturbações aos filhos de fé.


Sua forma de incorporação é compacta, sem dançar ou pular muito. A vibração começa com um "peso" nas costas e uma inclinação de tronco para frente, e os pés fixados ao chão. Só se movimentam quando incorporam para as saudações necessárias e depois sentam-se e praticam a sua caridade.

No dia 13 de Maio relembramos a Abolição da Escravatura e comemoramos na Umbanda o "Dia do Preto Velho"



Oração aos Pretos Velhos



Preto Velho
Carreteiro de Oxalá
Bastão bendito de Zâmbi
Mensageiro de Obatalá
Meu pensamento eleva-se ao teu espírito e peço Agô.
Que tuas guias sejam o farol que norteia a minha vida,
Que vossa pemba trace o caminho certo para todos os meus atos,
Que vossas palavras, tão cheias de compreensão e bondade, iluminem a minha mente e o meu coração,
Que o teu cajado me ampare em meus tropeços.
Ontem te curvastes aos senhores…
Hoje, ajoelho-me aos teus pés pedindo que intercedas junto a Oxalá por mim e por todos que neste momento clamam por vós.
Maleme e paz sobre o meu lar e que a luz divina de Obatalá se estenda pelo mundo,
E que o grito de todos os orixás sejam o sinal de vitória sobre todas as demandas de minha vida.
Maleme as almas.
Maleme para todos os meus inimigos, para que saiam do negrume da vingança
E encontrem fonte fecunda e clara do amor e caridade.
Adorei as Almas!