domingo, 15 de março de 2015

Falanges

Um assunto que gera muitas dúvidas e confusões é as Falanges na Umbanda.

Para começarmos a explicar o tema, é viável que façamos uma pergunta:

"Um espírito pode se manifestar em vários médiuns ao mesmo tempo? Por exemplo, pode haver dois médiuns incorporados em seu Caboclo Pena Branca ao mesmo tempo e no mesmo terreiro?"

Sim, pode. A explicação é simples mas exige um leve estudo sobre o assunto.

Maria Padilha, 7  Flechas, Pena Branca entre outros são nomes das FALANGES de trabalho. Todos os espíritos pertencentes àquele grupo se manifestam com o mesmo nome quando estão em terra. Mas tratam-se de espíritos, de individualidades diferentes. Assim, não é o Pena Branca que está em vários lugares ao mesmo tempo. São vários espíritos da mesma falange, em vários lugares, utilizando o mesmo nome.

Falange é o mesmo que legião, agrupamento de tropas organizadas, visto isso, podemos dizer que as falanges na Umbanda são agrupamentos de espíritos. Dentro das falanges existem hierarquias referentes a tipos vibracionais, áreas de atuação do espírito,  grau evolutivo, experiência adquirida, dentre outros. As falanges que aparecem na nossa morada do Pai são atribuídas as linhas de trabalho existentes e também aos Orixás. 


Não podemos confundir por exemplo, a Linha de Pretos Velhos com Falange de Pretos Velhos, ou seja, a Linha de trabalho é referente ao grau alcançado pela evolução do espírito, que nela pode exercer a sua especialidade, onde esta especialidade é especificada dentro das falanges, por exemplo, um espírito que trabalha na Linha de Pretos Velhos e tem grande conhecimento em magia e quebra de feitiços poderá vir a trabalhar na Falange do Preto Velho Rei Congo, se apresentando como tal.

Compreendendo este modo hierárquico que a espiritualidade se organiza, podemos dizer que dentro de uma falange temos o chefe e criador da mesma, este responsável por todos os trabalhos desempenhados pelos obreiros que atuam nesta, temos os chefes de grupos de falanges, que são responsáveis pela coordenação de um grupo que trabalha na mesma falange, mas de menor patente e experiência, assim este chefe tomará conta e informará os resultados do grupo qual ele comanda ao criador da falange.

Ainda podemos ver a divisão de especialidades dentro própria falange, caracterizando assim uma sub-falange, por exemplo, os Pretos Velhos que se apresentam como Pai Chico da Calunga, estão dentro da falange do Pai Chico, mas por apresentarem o sobrenome da Calunga, mostra que o trabalho desempenhado por ele, é feito com as almas, ou seja, espíritos na transição do mundo físico para o espiritual, que se diferencia do trabalho desempenhado pelo Pai Chico de Aruanda, que tem o caráter mais doutrinário, esclarecedor do que se diz respeito ao evangelho de Cristo.

Sob esta ótica, podemos compreender como é possível existirem diversas entidades se identificando com o mesmo nome, em diversas casas, no mesmo horário, muitas vezes no mesmo terreiro, espalhados pelo país inteiro, e por que não pelo mundo.

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