quarta-feira, 21 de outubro de 2015

História e uso do pó de Pemba (Efun) Africano

Segundo muitos pesquisadores, a pemba foi trazida pelos bantos, que já a faziam para seus ritos religiosos na África. Esta teoria é reforçada segundo o dicionário de termos afro-brasileiros, de Nei Lopes, pelo fato de que a palavra pemba significa cal em kimbundo, e pemba é o termo para giz em kikongo. A pemba legítima é importada da África. 

O que torna essas pembas vindas da África tão especiais é o fato de que os artesãos entoam cânticos religiosos para consagrá-las enquanto realizam todas as etapas de sua produção: o minério extraído das jazidas de cal é pulverizado, misturado com corantes e cola, modelado e embrulhado em folhas de bananeira, depois de seco. 

Efun: (barro branco encontrado no fundo dos rios) foi o primeiro condimento utilizado antes da introdução do Sal. Este elemento simboliza o Dia, por isso, quando em pó, seja soprado ou friccionado seco é utilizado com o objetivo de expandir, vitalizar, iluminar, clarear, despertar, avivar. 

Já o Efun molhado com água pura ou com o soro do Igbin é utilizado para acalmar, tranqüilizar, adormecer, suavizar, abrandar, repousar, proteger. Por isso que a cabeça do Yawo em reclusão deve permanecer coberta de pó de Efun o Dia, e durante a noite coberta com Waji e pequenas marcas de Efun.  

Efun Mineral: é um pó retirado de calcário, que são encontrados na natureza em várias cores, também chamada de tabatinga. É utilizado na feitura de santo que serve para pintar o corpo do neófito, chamada de efum fum (pó branco). 

Efun Vegetal: é um pó retirado de frutos tipo: obi, orobo, aridan, pichurin, nós-moscada e folhas sagradas. 

Atin: é resultado de uma mistura de Efun Mineral e Efun Vegetal e dentro de algumas tradições ele só deve ser preparada pela Yalorixá.

Efun animal: é um pó retirado de ossos e cartilagens dos animais utilizados em sacrifícios aos orixás. Nas tradições africanas, esta extração deve ser feita pelo axogun ou babalorixá, entrando na preparação de assentamento de orixá. 

O pó de pemba é muito eficaz enquanto prática magística, pois raramente deixa sinais de seu uso, o que é conveniente, especialmente quando o encantamento se destina a pessoas que não devem ter conhecimento de seu uso. 

A pemba ralada é usada como um dos ingredientes que compõem muitos Afoshés ou pós mágicos, embora existam pós feitos sem pemba, podendo esta ser substituída por barro de rio ou outro tipo de terra, misturado com ervas, sementes, partes de animais e outros ingredientes, com variações decorrentes da influência dos valores culturais dos diversos povos que formaram as tradições religiosas e mágicas brasileiras. 

Em decorrência de sua origem, esses pós também são chamados "pembas", mesmo quando não são feitos com o giz pulverizado, legitimamente africanos. 

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

As Chamas

Quatro velas estavam calmamente.
O ambiente estava tão silencioso que se podia ouvir o diálogo entre elas.

A 1ª expandindo sua chama disse:
- Eu sou a Paz, Peregrina pelas estrelas do sentimento, buscando morada no coração dos homens, viaja pelos campos devastados pelas guerras e canto minha canção aos ouvidos dos que ainda persistem nas batalhas cruéis. Penetrando nos lares e espalho o perfume da minha presença. Devo admitir que apesar da minha luz, as pessoas não têm conseguido manter-me acesa. 
Por fim, diminuindo sua chama, devagarinho apagou-se totalmente.

A 2ª mostrando o colorido de sua chama disse:
- Eu me chamo Fé e tenho me sentido inútil entre os homens. Eles se encontram cheios de tanta tecnologia e conquistas, que não me escutam. Não querem saber das verdades espirituais. Insistentemente, tenho batido às portas da razão humana, demonstrando que, sem minha luz, logo cairão em trevas densas e sofridas, porque eu sou a luz que brilha na noite da desilusão. Sou a companheira dos que padecem males sem cona. Mas, como tenho sido desprezada, não faz sentido eu continuar acesa.
Ao terminar sua fala, um vento bateu levemente e ela se apagou.

A 3ª baixinho e triste se manifestou:
- Eu sou o Amor! Não tenho mais forças para queimar, as pessoas me deixam de lado, porque tudo é mais importante que eu: a carreira, os prazeres, as coisas materiais... Os homens só conseguem enxergar a si próprio, esquecendo-se dos que estão à sua volta. 
Dito isso, o Amor recolheu sua chama e se apagou.
De repente entrou uma criança, olhou as três velas apagadas e falou espontaneamente:
- O que é isso? Vocês devem ficar acesas e queimar até o fim !

A 4ª vela, que havia permanecido acesa, falou:
- Não tenha medo criança e nem se preocupe. Enquanto a minha chama estiver acesa podemos acender as outras velas! 
Então a criança apanhou a vela da Esperança e acendeu novamente as velas da Paz, da Fé e do Amor.

Nossas crianças representam a Esperança, a Paz, a Fé e o Amor. Que sigamos o exemplo delas mantendo esses sentimentos puros, pois por mais que a vida nos agrida, sempre há ESPERANÇA!

Jornal Umbanda Brasil