quinta-feira, 28 de julho de 2016

Eu não nasci um Dirigente Espiritual

Vamos esclarecer uma coisa: 
EU NÃO NASCI UM DIRIGENTE ESPIRITUAL.
Eu já fui bebê um dia, cresci em uma família e errei na vida assim como qualquer outro.
Quis esclarecer isso porque as pessoas vivem acreditando que nós, Mães e Pais, Yayas e Babas, nascemos carregando o sacerdócio. Não. Eu não nasci com um pano da costa, um torço e uma saia.
E para você que acha que começamos a desenvolver em um dia e no outro ja estavamos a frente de uma casa, não, não foi assim. Eu comecei no Desenvolvimento, incorporei pela primeira vez, tive dúvidas e passei por inúmeras obrigações até ir chegando onde hoje eu estou, e posso dizer com toda a certeza que não é fácil carregar essa missão, sabe por quê? Porque você adquire responsabilidades que as pessoas nem imaginam e quer saber qual é a mais difícil delas? Lidar com o ser humano...
Primeiramente, você passa a ser visto 24 horas por dia como Pai ou Mãe de Santo. Isso mesmo, não tem descanso e muito menos folga!
As pessoas pensam que você tem que estar disponível para elas todas as horas do dia. Elas só esquecem que temos uma vida fora do terreiro, que trabalhamos para nos sustentar, que temos maridos ou mulheres, casa, filhos, família, contas a pagar e que também temos o direito de ficar doentes e precisar ir ao médico... Mas as pessoas não entendem, insistem em te ligar tarde da noite ou em te mandar uma mensagem sem se preocupar com a hora que você vai dormir ou levantar, sem se preocupar em saber se você esta bem ou se precisa de ajuda, só querem saber a todo instante de serem ajudados e na primeira oportunidade que tem, viram as costas falando que você nunca foi bom o suficiente porque deixou de responder uma mensagem, porque você pede para os filhos contribuirem com qualquer quantia para ajudar nos gastos do terreiro, porque você não permite a entrada na corrente dos médiuns que chegam horas atrasados ou porque é exigente quanto aos banhos de defesa. Arrumam uma desculpa para tudo e nós sempre somos os ruins da história.
Entretanto, ninguém pensa que aquela Mãe ou aquele Pai de Santo não respondeu a mensagem porque podia estar no trânsito, numa reunião ou no hospital com o filho doente. Ninguém pensa que aquela Mãe ou aquele Pai não cobra nenhum atendimento, de nenhuma forma, e precisa pagar o aluguel do lugar que você também usa. Ninguém pensa que aquela Mãe ou aquele Pai pode não autorizar a entrada dos atrasados porque você, com sua energia sem preparo, pode atrapalhar um trabalho todo. Ninguém pensa que aquela Mãe ou aquele Pai se preocupou com você mesmo ao pedir que tomasse aquele banho de defesa... Ninguém pensa...
E mesmo com tudo isso, estamos sempre na linha de frente com um sorriso no rosto, deixando de lado os problemas da vida, toda sua ignorância, falta de respeito e consideração, para se preocupar com o bem estar de cada filho, que esta ali para cumprir sua missão, e com a ajuda que cada consulente foi buscar.
Aliás, preciso ir porque tenho uma Gira para tocar. 
Pense nisso Yawo...